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Macro · 4 min de leitura

Berkshire Hathaway amplia posição em Alphabet e liquida Mastercard no 1º trimestre de 2025

O movimento sinaliza rotação de portfólio em direção a tecnologia e saída de serviços financeiros, com implicações para fluxos globais de capital em cenário de juros elevados.

Publicado em 16 de maio às 19:13

Berkshire Hathaway amplia posição em Alphabet e liquida Mastercard no 1º trimestre de 2025

O movimento sinaliza rotação de portfólio em direção a tecnologia e saída de serviços financeiros, com implicações para fluxos globais de capital em cenário de juros elevados.

No primeiro trimestre de 2025, a Berkshire Hathaway elevou sua participação na Alphabet — controladora do Google — e encerrou posições em Mastercard, Visa, Aon, UnitedHealth Group e Chevron. O portfólio total da holding supera US$ 260 bilhões em ações, tornando cada realocação um sinal de referência para gestores globais.

O que aconteceu

A Berkshire Hathaway divulgou seu formulário 13-F junto à SEC (Securities and Exchange Commission) referente ao primeiro trimestre de 2025, revelando aumento na fatia da Alphabet e desinvestimento completo em Mastercard e Visa, além de saídas parciais ou totais em Aon, UnitedHealth Group e Chevron. A CNN Brasil reportou o movimento em 16 de maio de 2026. O 13-F é obrigatório para gestores com mais de US$ 100 milhões em ativos e reflete posições com até 45 dias de defasagem.

A leitura quantitativa

A saída simultânea de Mastercard e Visa — duas das maiores redes de pagamento do mundo, com capitalização combinada acima de US$ 1 trilhão — é estatisticamente incomum para a Berkshire, historicamente avessa a rotações abruptas. O modelo de precificação de risco sugere que a decisão é consistente com ao menos dois cenários concorrentes:

Cenário 1 — Compressão de margens em serviços financeiros (probabilidade estimada: ~55%). Com o Fed Funds Rate ainda em patamar restritivo (5,25%–5,50% no início de 2025, segundo o Federal Reserve), empresas de meios de pagamento enfrentam pressão de inadimplência e desaceleração do consumo discricionário nos EUA. A correlação histórica entre ciclos de aperto monetário e underperformance do setor financeiro é positiva e documentada: entre 2004–2006 e 2022–2023, o índice KBW Bank perdeu em média 8% em termos reais durante picos de taxa.

Cenário 2 — Reposicionamento em ativos de crescimento com valuation ajustado (~45%). A Alphabet negociava, no 1º trimestre de 2025, a múltiplos P/L próximos de 20x — abaixo da média histórica de 25x do setor de big tech (Bloomberg Intelligence). Para um gestor de valor como Buffett, esse diferencial representa margem de segurança mensurável.

A saída de Chevron merece atenção separada: a Berkshire havia acumulado posição relevante no setor de energia entre 2022 e 2023, aproveitando o ciclo de alta do petróleo. A redução agora é consistente com projeções do EIA (U.S. Energy Information Administration) que apontam estabilização do Brent entre US$ 70–80 para 2025, comprimindo o upside relativo.

Comparação histórica

Em 2020, a Berkshire vendeu todas as suas posições em companhias aéreas — Delta, United, American e Southwest — em questão de semanas, sinalizando deterioração estrutural do setor antes que o consenso do mercado a precificasse. O padrão de saída concentrada em múltiplos setores simultâneos, como ocorre agora com financeiras e energia, tem precedente histórico como antecipação de reconfiguração macroeconômica, não apenas ajuste tático.

O que monitorar

  • Próximo 13-F (agosto/2025): confirmará se a posição em Alphabet foi ampliada novamente ou revertida, definindo se o movimento é estratégico ou oportunístico.
  • Decisões do FOMC: cortes de juros nos EUA tendem a beneficiar financeiras; uma reversão da política monetária pode requalificar a saída de Mastercard e Visa como timing equivocado.
  • Resultado operacional da Alphabet no 2º tri: crescimento de receita de publicidade abaixo de 10% a/a seria sinal de alerta para a tese de compra.
  • Preço do Brent: sustentação acima de US$ 85 reabriria a discussão sobre reentrada em energia.
  • Fluxo de capital estrangeiro no Brasil (dados BCB): movimentos de portfólio da Berkshire historicamente precedem rebalanceamento de fundos globais com exposição a emergentes, incluindo o Brasil.

Perguntas frequentes

P: Por que a Berkshire vendeu Mastercard e Visa ao mesmo tempo? A saída simultânea sugere visão setorial, não avaliação individual de cada empresa. Em ciclos de juros altos, redes de pagamento sofrem com desaceleração do crédito ao consumidor. O modelo da Berkshire prioriza margem de segurança; com múltiplos ainda elevados, o risco-retorno teria se deteriorado.

P: A compra de Alphabet pela Berkshire é um sinal de alta para ações de tecnologia? É um dado relevante, mas não determinístico. A Berkshire representa um único gestor com horizonte de longo prazo. O movimento é consistente com valuation atrativo da Alphabet em 2025, mas não implica probabilidade elevada de alta imediata para o setor como um todo.

P: Como esse movimento da Berkshire afeta o mercado brasileiro? O impacto direto é indireto e defasado. Realocações de grandes gestores globais influenciam fluxos para ETFs de emergentes. Segundo dados do BCB, o Brasil recebeu US$ 4,2 bilhões em investimento estrangeiro em carteira no 1º trimestre de 2024; variações nesse fluxo dependem do apetite global a risco, que movimentos como o da Berkshire ajudam a calibrar.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

Berkshire eleva fatia na Alphabet no 1º tri e vende Mastercard

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.