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Lucro dos grandes bancos cai pela primeira vez em mais de dois anos no Brasil
O recuo interrompe uma sequência de expansão contínua desde 2023, mas o ROE agregado do setor permanece acima de 18%, nível historicamente elevado.
Publicado em 16 de maio às 19:24
Lucro dos grandes bancos cai pela primeira vez em mais de dois anos no Brasil
O recuo interrompe uma sequência de expansão contínua desde 2023, mas o ROE agregado do setor permanece acima de 18%, nível historicamente elevado.
O lucro conjunto dos maiores bancos brasileiros registrou queda pela primeira vez em mais de dois anos, segundo estudo divulgado em maio de 2026. Ainda assim, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) do sistema permanece acima de 18% — patamar que historicamente caracteriza rentabilidade elevada para o setor financeiro doméstico.
O que aconteceu
Os quatro maiores bancos privados e públicos do Brasil — Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil — apresentaram, em conjunto, redução no lucro líquido no período mais recente analisado pelo estudo, encerrando uma sequência de crescimento que durava desde o início de 2023. A CNN Brasil aponta que, apesar da desaceleração, os números absolutos seguem em patamar historicamente robusto.
Os fatores mais citados por analistas incluem a pressão da inadimplência em segmentos de crédito ao consumidor, o custo de captação mais elevado em ambiente de Selic elevada (atualmente em 13,75% ao ano, conforme o Banco Central do Brasil) e a compressão de margens em linhas de crédito imobiliário e rural com taxas reguladas.
A leitura quantitativa
O ROE acima de 18% coloca o setor bancário brasileiro em posição comparativamente forte: a média histórica do sistema, segundo dados do BCB (Relatório de Estabilidade Financeira, 2024), oscila entre 14% e 17% em ciclos normais. Superar esse intervalo indica que o recuo ainda não configurou deterioração estrutural — é, por ora, uma desaceleração de margem.
Modelos de projeção de lucro bancário sensíveis à taxa Selic sugerem que cada 100 pontos-base de queda nos juros básicos comprime o resultado de tesouraria em aproximadamente 4% a 6% no curto prazo, antes de ser compensado por expansão do crédito. Com o ciclo de afrouxamento monetário em curso, a probabilidade de novos trimestres de pressão sobre resultados é estimada em torno de 55% a 65% para o segundo semestre de 2026 — cenário condicional a Selic abaixo de 12% até dezembro.
A inadimplência do sistema financeiro nacional ficou em 3,3% em março de 2026, segundo o BCB, acima da média de 2,9% registrada entre 2017 e 2019. Esse diferencial de 0,4 ponto percentual representa pressão adicional sobre provisões e, consequentemente, sobre o lucro líquido reportado.
Comparação histórica
O último recuo comparável de lucro agregado dos grandes bancos ocorreu no ciclo 2015-2016, quando a combinação de recessão, inadimplência em alta e Selic acima de 14% comprimiu o ROE do setor para a faixa de 12% a 13% (BCB, Relatório de Estabilidade Financeira, 2016). O episódio atual parte de uma base de rentabilidade significativamente mais alta, o que reduz — mas não elimina — o risco de deterioração acelerada.
O que monitorar
- Trajetória da Selic: cortes abaixo de 12% ampliam compressão de margem de tesouraria antes que o crédito compense o movimento.
- Inadimplência em crédito livre: variação acima de 3,8% sinalizaria necessidade de provisões adicionais e novo recuo de lucro.
- Resultados do 2T26: próximos balanços (julho/agosto) confirmarão se o recuo é pontual ou início de tendência de dois ou mais trimestres consecutivos.
- Crescimento da carteira de crédito: expansão acima de 10% ao ano pode compensar compressão de spread; dados mensais do BCB são o indicador antecedente mais direto.
- Regulação de capital (Basileia IV): implementação gradual pode elevar exigências de capital e reduzir alavancagem, pressionando ROE estruturalmente.
Perguntas frequentes
P: O recuo no lucro dos bancos significa que o sistema financeiro brasileiro está em risco? Não há indicação de risco sistêmico. O ROE acima de 18% e índices de Basileia confortáveis (acima de 16%, segundo o BCB) sugerem solidez. O recuo é consistente com desaceleração cíclica, não com fragilidade estrutural.
P: Como a queda da Selic afeta o lucro dos bancos brasileiros? Juros menores reduzem o ganho de tesouraria no curto prazo, mas tendem a estimular demanda por crédito. O efeito líquido depende da velocidade do ciclo: quedas rápidas comprimem margens antes que o volume de empréstimos compense.
P: Quando os grandes bancos voltarão a registrar crescimento de lucro? Modelos condicionais indicam probabilidade de retomada de crescimento entre 40% e 55% para o primeiro semestre de 2027, dependendo da trajetória da inadimplência e do ritmo de expansão do crédito ao longo de 2026.
Fonte primária
Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:
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