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Saúde · 3 min de leitura

Gengiva sangrando: o que os dados epidemiológicos dizem sobre gengivite e periodontite no Brasil

Cerca de 54% dos adultos brasileiros apresentam algum grau de doença periodontal, segundo o SB Brasil 2010 — condição que vai de gengivite reversível a periodontite com risco sistêmico.

Publicado em 16 de maio às 21:02

Gengiva sangrando: o que os dados epidemiológicos dizem sobre gengivite e periodontite no Brasil

Cerca de 54% dos adultos brasileiros apresentam algum grau de doença periodontal, segundo o SB Brasil 2010 — condição que vai de gengivite reversível a periodontite com risco sistêmico.

Doença periodontal afeta mais da metade da população adulta brasileira. A gengivite — estágio inicial, reversível — atinge estimados 70% dos adultos em algum momento da vida. Já a periodontite, forma avançada com destruição óssea, responde por cerca de 11% dos casos de perda dentária registrados no DataSUS entre 2019 e 2022.

O que aconteceu

Especialistas da Faculdade de Odontologia da USP, em entrevista à CNN Brasil, detalharam os critérios clínicos que distinguem gengiva saudável de gengiva inflamada. O sangramento ao escovar os dentes foi apontado como sinal precoce de alerta — não um evento normal. Outros indicadores incluem gengiva avermelhada, edemaciada, retração gengival e presença de bolsas periodontais acima de 3 mm.

O contexto importa: o Levantamento SB Brasil 2010 (Ministério da Saúde) identificou que apenas 19% dos brasileiros entre 35 e 44 anos apresentavam periodonto clinicamente saudável. A edição mais recente de dados comparáveis, o SB Brasil 2022, ainda em fase de publicação integral, aponta tendência de piora entre populações de baixa renda e menor acesso a serviços odontológicos preventivos.

A leitura quantitativa

O modelo epidemiológico de progressão periodontal segue lógica de risco acumulado: sem intervenção, aproximadamente 30% dos casos de gengivite evoluem para periodontite em um horizonte de 5 a 10 anos, segundo revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Periodontology (Tonetti et al., 2018).

A associação com doenças sistêmicas eleva o peso clínico do diagnóstico. Metanálises indicam que pacientes com periodontite moderada a severa têm risco relativo de 1,24 a 1,34 para eventos cardiovasculares maiores (infarto, AVC), comparado à população sem doença periodontal — dado consistente com diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, 2021). Para diabéticos, o controle glicêmico piora em média 0,27 pontos percentuais de HbA1c na presença de periodontite não tratada.

No DataSUS, procedimentos de raspagem e alisamento radicular (código 0307010064) registraram queda de 18% entre 2019 e 2021, período coincidente com a pandemia de Covid-19, com recuperação parcial de 9% em 2022-2023 — sugerindo represamento de demanda ainda não totalmente absorvido pelo SUS.

Comparação histórica

O SB Brasil 2003 já apontava doença periodontal como a segunda maior causa de perda dentária no país, atrás apenas da cárie. Em duas décadas, a prevalência de periodontite severa em adultos de 35-44 anos recuou de 19,4% para cerca de 15% (SB Brasil 2010), mas o ritmo de melhora desacelerou nos ciclos seguintes, especialmente em municípios sem equipes de saúde bucal na Atenção Básica.

O que monitorar

  • Publicação integral do SB Brasil 2022: dados preliminares do Ministério da Saúde devem revelar impacto da pandemia na saúde bucal populacional — esperado para segundo semestre de 2025.
  • Cobertura de equipes de saúde bucal no SUS: indicador direto de acesso preventivo; atualmente em 43,7% dos municípios, segundo e-Gestor AB (abril 2025).
  • Associação periodontite-doenças crônicas: ensaios clínicos em andamento (PERIOCARDIO-BR, FAPESP 2023) podem redefinir protocolos de triagem integrada.
  • Automedicação com antissépticos bucais: uso indiscriminado de clorexidina altera microbioma oral — variável de confusão crescente em estudos de prevalência.

Perguntas frequentes

P: Gengiva sangrando ao escovar é normal? Não. Sangramento gengival é sinal clínico de inflamação — gengivite no mínimo. Uma gengiva saudável não sangra durante a escovação ou uso de fio dental. A persistência por mais de duas semanas justifica avaliação odontológica.

P: Qual a diferença entre gengivite e periodontite? Gengivite é inflamação restrita à gengiva, reversível com higiene adequada. Periodontite envolve destruição do osso alveolar e dos ligamentos de suporte do dente — dano parcialmente irreversível. A transição entre os dois estágios pode ocorrer em meses sem tratamento.

P: Doença na gengiva pode afetar o coração? Sim, há associação documentada. Metanálises indicam risco relativo de até 1,34 para eventos cardiovasculares em pacientes com periodontite severa, comparado a indivíduos sem a condição (ESC, 2021). O mecanismo envolve bacteremia recorrente e resposta inflamatória sistêmica.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

Gengiva sangrando? Dr. Kalil e especialistas detalham sinais de alerta

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.