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Geopolítica · 3 min de leitura

Negociações tarifárias Brasil-EUA atrasam enquanto Washington prioriza agenda com China

A primeira teleconferência do grupo de trabalho bilateral deve ocorrer apenas nesta semana, com atraso causado pela visita americana à China — sinalizando que Brasília não é prioridade imediata na agenda comercial de Trump.

Publicado em 17 de maio às 05:02

Negociações tarifárias Brasil-EUA atrasam enquanto Washington prioriza agenda com China

A primeira teleconferência do grupo de trabalho bilateral deve ocorrer apenas nesta semana, com atraso causado pela visita americana à China — sinalizando que Brasília não é prioridade imediata na agenda comercial de Trump.

As negociações tarifárias entre Brasil e Estados Unidos acumulam pelo menos uma semana de atraso após a visita americana à China dominar a agenda de Washington. A primeira reunião formal do grupo de trabalho bilateral ainda não ocorreu. Enquanto isso, a tarifa de 10% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros segue vigente desde abril de 2025.

O que aconteceu

O grupo de trabalho criado para discutir as tarifas recíprocas entre Brasil e EUA ainda não realizou sua primeira teleconferência. Segundo a CNN Brasil, o atraso foi causado diretamente pela priorização da visita americana à China, que concentrou a atenção dos negociadores do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A expectativa agora é de que o primeiro contato formal aconteça ao longo desta semana.

O contexto é relevante: Washington tem conduzido negociações paralelas com dezenas de países desde que anunciou a pausa de 90 dias nas tarifas recíprocas em abril de 2025. O acordo com o Reino Unido, fechado em maio, e o cessar-fogo tarifário com a China — que reduziu temporariamente tarifas de 145% para 30% — indicam que as negociações seguem uma hierarquia implícita de prioridade geopolítica e econômica.

A leitura quantitativa

O Brasil ocupa posição intermediária na fila de negociações americanas. O país enfrenta tarifa de 10% — a alíquota mínima aplicada pela administração Trump, abaixo das tarifas impostas a parceiros como China (30% temporário), União Europeia (10%, em pausa) e Vietnam (46%, em pausa). Essa alíquota menor reduz a urgência percebida por Washington para fechar um acordo rápido.

Em termos de fluxo comercial, o Brasil exportou aproximadamente US$ 36 bilhões para os EUA em 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Uma tarifa de 10% representa impacto potencial de até US$ 3,6 bilhões anuais sobre exportações brasileiras — valor relevante, mas inferior ao que justificaria prioridade máxima na agenda americana.

O modelo de cenários condicionais da apura.br estima três trajetórias possíveis para as próximas semanas:

  • Cenário base (55%): Teleconferência ocorre nesta semana, mas negociações avançam lentamente. Tarifa de 10% permanece por pelo menos mais 60 dias.
  • Cenário otimista (25%): Acordo de princípio é esboçado até o fim da janela de 90 dias (julho de 2025), com redução parcial ou setorial de tarifas.
  • Cenário adverso (20%): Negociações travam por divergências em agropecuária ou compras governamentais, e tarifa de 10% se torna permanente no curto prazo.

Comparação histórica

O padrão de atraso não é inédito. Durante a guerra comercial de 2018-2019, o Brasil também ficou fora das negociações prioritárias entre EUA e China, que consumiram 18 meses de atenção do USTR antes de qualquer acordo bilateral relevante com Brasília. À época, o Brasil conseguiu isenções pontuais em aço e alumínio apenas após pressão setorial direta — não por negociação estruturada.

O que monitorar

  • Realização da teleconferência esta semana: confirmação ou novo atraso sinaliza o nível real de prioridade que Washington atribui ao Brasil.
  • Posição brasileira em agropecuária: divergências sobre acesso a carnes e grãos foram o principal ponto de atrito em negociações anteriores com os EUA.
  • Prazo da pausa de 90 dias: a janela expira em meados de julho de 2025; acordos não fechados até lá enfrentam risco de escalada tarifária.
  • Agenda China-EUA: novos desdobramentos do cessar-fogo tarifário sino-americano podem liberar ou consumir ainda mais a capacidade negociadora do USTR.
  • Postura do Itamaraty: declarações públicas de Lula ou do chanceler Mauro Vieira sobre as negociações funcionam como termômetro do grau de tensão bilateral.

Perguntas frequentes

P: Qual é a tarifa atual dos EUA sobre produtos brasileiros? Os EUA aplicam tarifa de 10% sobre importações brasileiras desde abril de 2025, como parte da política de tarifas recíprocas da administração Trump. Essa é a alíquota mínima do sistema, aplicada também a outros parceiros considerados menos prioritários.

P: O Brasil pode ser prejudicado pelo acordo EUA-China? Sim, indiretamente. Se o cessar-fogo tarifário sino-americano reduzir a pressão sobre Washington para fechar acordos rápidos com outros países, o Brasil perde poder de barganha relativo. Além disso, uma China com acesso mais fácil ao mercado americano compete diretamente com exportações brasileiras de commodities.

P: Quando as negociações Brasil-EUA devem ter um resultado concreto? O prazo mais relevante é meados de julho de 2025, quando expira a pausa de 90 dias nas tarifas recíprocas. Sem acordo até lá, o Brasil enfrenta risco de aumento tarifário. O modelo da apura.br estima 25% de chance de acordo parcial dentro desse intervalo.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

Debate sobre tarifas entre Brasil e EUA atrasa por visita americana à China

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.