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Macro · 3 min de leitura

Brasil ainda enfrenta risco real de tarifas americanas em 2025 e 2026

Investigações abertas pelos EUA mantêm probabilidade elevada de sobretaxas sobre exportações brasileiras, com novas rodadas de negociação previstas para os próximos meses.

Publicado em 17 de maio às 17:41

Brasil ainda enfrenta risco real de tarifas americanas em 2025 e 2026

Investigações abertas pelos EUA mantêm probabilidade elevada de sobretaxas sobre exportações brasileiras, com novas rodadas de negociação previstas para os próximos meses.

As investigações comerciais abertas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil seguem ativas e representam risco concreto de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Analistas estimam que ao menos duas frentes de investigação permanecem em curso, com datas de negociação ainda indefinidas — o que mantém a incerteza cambial e setorial acima do nível-base.

O que aconteceu

O analista de economia Gabriel Monteiro, em entrevista ao Agora CNN, indicou que representantes do Brasil e dos Estados Unidos acordaram novas datas para discussões bilaterais sobre as investigações comerciais em andamento. O movimento sugere que o processo não foi encerrado — apenas adiado — e que o risco tarifário permanece no horizonte de curto e médio prazo para exportadores brasileiros.

As investigações americanas seguem o rito da Seção 232 (segurança nacional) e da Seção 301 (práticas comerciais desleais), instrumentos que a administração Trump já utilizou para impor tarifas sobre aço, alumínio e produtos de outros parceiros comerciais em ciclos anteriores.

A leitura quantitativa

O Brasil exportou US$ 37,3 bilhões para os Estados Unidos em 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), tornando o mercado americano o segundo destino individual mais relevante da pauta exportadora nacional. Setores como aço plano, suco de laranja, café solúvel e calçados figuram entre os mais expostos a eventuais sobretaxas.

Modelos de impacto tarifário aplicados a episódios anteriores — como as tarifas de 25% sobre aço impostas em 2018 — indicam que uma sobretaxa equivalente reduziria o volume exportado nesses segmentos entre 15% e 30% no primeiro ano, com efeito secundário sobre o câmbio. O Banco Central do Brasil (BCB) já incorpora incerteza comercial externa como fator de risco em seus relatórios de inflação; o Relatório de Inflação de março de 2025 cita "fragmentação do comércio global" entre os vetores de volatilidade para o IPCA.

Em termos probabilísticos, o cenário de imposição efetiva de tarifas amplas sobre o Brasil em 2025 pode ser estimado em torno de 25% a 35% — condicional ao resultado das negociações bilaterais e ao comportamento da política comercial americana nas próximas semanas. O cenário-base (negociação sem tarifas generalizadas, com possíveis concessões pontuais) segue majoritário, mas com margem de confiança reduzida frente ao observado seis meses atrás.

Comparação histórica

Em 2018, quando os EUA aplicaram tarifas de 25% sobre aço e 10% sobre alumínio via Seção 232, o Brasil obteve isenção temporária após negociações, mas ficou sujeito a cotas volumétricas. O processo durou cerca de quatro meses entre o anúncio e a definição final. O ciclo atual apresenta estrutura similar de incerteza prolongada, porém com maior número de frentes abertas simultaneamente — o que eleva a complexidade da negociação e, por consequência, o prazo esperado de resolução.

O que monitorar

  • Datas das rodadas de negociação entre Brasília e Washington: atrasos sucessivos historicamente precedem imposição de medidas restritivas.
  • Publicação de relatórios finais das investigações Seção 232 e Seção 301 pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).
  • Variação do câmbio BRL/USD como termômetro de precificação do risco: depreciação acima de 5% em janela de 30 dias costuma refletir deterioração das expectativas comerciais.
  • Pauta de exportações de aço e suco de laranja nos dados mensais da Secex: queda antecipada de pedidos sinaliza que exportadores já estão precificando o risco.
  • Declarações do Ministério das Relações Exteriores sobre o andamento das negociações bilaterais.

Perguntas frequentes

P: O Brasil pode ser atingido pelas tarifas americanas em 2025? Sim, o risco permanece ativo. Investigações sob a Seção 232 e a Seção 301 ainda estão em curso. O modelo apura br estima probabilidade de 25% a 35% de imposição efetiva de sobretaxas amplas ao longo de 2025, condicional ao resultado das negociações bilaterais.

P: Quais produtos brasileiros seriam mais afetados por tarifas dos EUA? Aço plano, alumínio, suco de laranja concentrado, café solúvel e calçados concentram a maior exposição. Juntos, esses segmentos respondem por parcela relevante dos US$ 37,3 bilhões exportados ao mercado americano em 2024, segundo a Secex/MDIC.

P: Como as tarifas americanas afetam o câmbio e a inflação no Brasil? Tarifas que reduzem exportações pressionam o real por menor entrada de divisas. O BCB aponta fragmentação do comércio global como fator de risco inflacionário. Em 2018, o anúncio das tarifas sobre aço contribuiu para depreciação cambial de aproximadamente 8% no trimestre seguinte.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

Análise: Investigações dos EUA ainda ameaçam Brasil com tarifas

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.