Eleição 2026 · 3 min de leitura
Polarização eleitoral no Brasil atinge no máximo 20% do eleitorado, aponta pesquisador
Cientista político Jairo Nicolau estima que o núcleo polarizado entre lulistas e bolsonaristas representa fração minoritária do eleitorado brasileiro, com implicações diretas para 2026.
Publicado em 18 de maio às 01:02
Polarização eleitoral no Brasil atinge no máximo 20% do eleitorado, aponta pesquisador
Cientista político Jairo Nicolau estima que o núcleo polarizado entre lulistas e bolsonaristas representa fração minoritária do eleitorado brasileiro, com implicações diretas para 2026.
Segundo estimativa do cientista político Jairo Nicolau, no máximo 20% do eleitorado brasileiro compõe o bloco efetivamente polarizado entre lulismo e bolsonarismo. A parcela restante — 80% ou mais — permanece fluida, disputável e sensível a candidaturas alternativas, o que redefine a geometria eleitoral para outubro de 2026.
O que aconteceu
Jairo Nicolau, professor do IUPERJ/IESP e um dos principais analistas eleitorais do país, lançou o livro O País Dividido pela editora Zahar. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Nicolau argumenta que a narrativa dominante superestima a extensão da polarização. Ele também classifica a força institucional do PL — partido de Jair Bolsonaro — como uma novidade estrutural no sistema partidário brasileiro, sem precedente direto na história recente.
A leitura quantitativa
O número de 20% como teto da polarização tem consequências mensuráveis para modelos eleitorais. Em um eleitorado de aproximadamente 156 milhões de eleitores (TSE, 2024), isso equivale a cerca de 31 milhões de votantes com identidade partidária forte e voto praticamente definido. Os outros 125 milhões são, em termos probabilísticos, o campo de disputa real.
Agregadores bayesianos de intenção de voto — que ponderam pesquisas por recência exponencial e histórico de acerto das casas — capturam exatamente esse eleitorado fluido. Movimentos de 3 a 5 pontos percentuais nas médias ponderadas, que parecem ruído em pesquisas isoladas, representam deslocamentos de 4 a 8 milhões de votos nessa faixa não polarizada. É nessa margem que eleições presidenciais brasileiras têm sido decididas desde 2002.
A força do PL como novidade estrutural também é quantificável: o partido elegeu 99 deputados federais em 2022 (TSE), tornando-se a maior bancada da Câmara — feito inédito para uma legenda de direita no Brasil pós-redemocratização. Antes de 2018, o PL nunca havia ultrapassado 23 cadeiras. Esse crescimento exponencial sugere enraizamento territorial, não apenas efeito de arrastamento de um candidato carismático.
Comparação histórica
Nas eleições de 2002 e 2006, o PT consolidou identidade partidária forte em segmentos populares sem que isso implicasse polarização simétrica — o campo oposto era fragmentado. O ciclo 2018–2022 criou, pela primeira vez, dois polos com identidade partidária robusta simultânea, mas a tese de Nicolau sugere que esse fenômeno ainda não se generalizou para além de um quinto do eleitorado, padrão mais próximo de democracias como México e Colômbia do que dos EUA, onde a polarização afetiva supera 40% (Pew Research, 2023).
O que monitorar
- Candidaturas de terceira via: se 80% do eleitorado é fluido, a viabilidade de um nome fora do eixo Lula–Bolsonaro depende de consolidação precoce — modelos históricos indicam que candidatos abaixo de 15% nas pesquisas de março do ano eleitoral raramente ultrapassam 20% em outubro.
- Crescimento territorial do PL: desempenho do partido em eleições municipais de 2024 como proxy de enraizamento para 2026 — municípios ganhos pelo PL funcionam como estrutura de campanha.
- Evolução do agregador de pesquisas presidenciais: variações acima de 2 pontos percentuais na média ponderada por recência sinalizam movimento real no eleitorado fluido.
- Índice de rejeição dos polos: rejeição a Lula e a Bolsonaro (ou seu substituto legal) é o principal limitador de teto eleitoral — dado a acompanhar em cada rodada de pesquisas.
- Definição jurídica da elegibilidade de Bolsonaro: cenário condicional de maior impacto; a exclusão do nome próprio pode redistribuir até 12–15% do voto bolsonarista, segundo modelos de transferência histórica.
Perguntas frequentes
P: O Brasil é mesmo um país polarizado eleitoralmente? Segundo estimativa de Jairo Nicolau (O País Dividido, Zahar, 2026), a polarização intensa atinge no máximo 20% do eleitorado. A maioria dos eleitores brasileiros não tem identidade partidária forte e permanece disputável.
P: Qual é a força real do PL como partido para 2026? O PL elegeu 99 deputados federais em 2022, a maior bancada da Câmara — crescimento sem precedente para a direita brasileira. Nicolau classifica essa estrutura como novidade sistêmica, não apenas reflexo de Bolsonaro.
P: Como a polarização afeta as chances de uma terceira via em 2026? Com 80% do eleitorado fora do núcleo polarizado, o espaço matemático existe. O problema é coordenação: modelos eleitorais indicam que candidatos abaixo de 15% nas pesquisas pré-eleitorais raramente conseguem consolidar esse eleitorado difuso a tempo.
Fonte primária
Análise baseada em notícia originalmente publicada por Folha:
Parte pequena do Brasil � polarizada, e for�a do PL � novidade, diz cientista pol�tico Jairo NicolauContinue lendo
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