Saúde · 3 min de leitura
Com que frequência ir ao dentista? O que os dados epidemiológicos indicam
Especialistas da USP recomendam consultas a cada seis meses, mas dados do DataSUS mostram que mais de 50% dos brasileiros adultos não cumprem essa periodicidade mínima.
Publicado em 18 de maio às 07:02
Com que frequência ir ao dentista? O que os dados epidemiológicos indicam
Especialistas da USP recomendam consultas a cada seis meses, mas dados do DataSUS mostram que mais de 50% dos brasileiros adultos não cumprem essa periodicidade mínima.
Periodontistas da Universidade de São Paulo recomendam visitas ao dentista a cada seis meses para adultos sem condições de risco, e a cada três ou quatro meses para pacientes com histórico de doença periodontal. O dado crítico: segundo o Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2010, Ministério da Saúde) — o levantamento epidemiológico mais recente de abrangência nacional —, 44,4% dos adultos entre 35 e 44 anos apresentavam doença periodontal ativa, a maioria sem diagnóstico prévio.
O que aconteceu
Em entrevista ao programa Sinais Vitais, exibido pela CNN Brasil, periodontistas vinculados à Faculdade de Odontologia da USP reforçaram que sangramento gengival durante a escovação não é normal — é sinal clínico de inflamação ativa. O alerta central: doenças bucais como periodontite e cárie evoluem de forma silenciosa por meses ou anos antes de gerar dor, o que leva pacientes a subestimar a urgência da consulta preventiva.
O Dr. Kalil, apresentador do programa, destacou a associação entre saúde bucal e doenças sistêmicas, linha de pesquisa consolidada na literatura — periodontite está associada a maior risco cardiovascular e piora do controle glicêmico em diabéticos, segundo revisão publicada no Journal of Clinical Periodontology (2022).
A leitura quantitativa
O modelo de risco para doenças periodontais opera de forma análoga a doenças crônicas silenciosas: a ausência de sintomas não equivale à ausência de progressão. Alguns números relevantes do cenário brasileiro:
- 44,4% dos adultos de 35–44 anos tinham periodontite no SB Brasil 2010 — dado que especialistas estimam ser ainda maior hoje, dado o envelhecimento populacional.
- Segundo o DataSUS (2023), procedimentos odontológicos preventivos representaram apenas 28% das consultas realizadas no SUS, contra 72% de procedimentos curativos — inversão da lógica preventiva.
- A periodontite avançada é a 6ª condição mais prevalente no mundo, afetando cerca de 1,1 bilhão de pessoas (Global Burden of Disease Study, 2019).
Para grupos de risco — fumantes, diabéticos, gestantes e pacientes com histórico familiar de doença periodontal —, o intervalo recomendado cai para três a quatro meses, segundo protocolo da Sociedade Brasileira de Periodontologia (SBPqO).
Comparação histórica
O SB Brasil 2010 registrou que apenas 19,7% dos idosos acima de 65 anos haviam consultado um dentista nos 12 meses anteriores à pesquisa. Entre adultos de 35–44 anos, esse índice era de 44,2%. A ausência de uma edição atualizada do levantamento (a próxima rodada do SB Brasil estava prevista para 2020 e foi postergada) representa lacuna epidemiológica relevante para o monitoramento da saúde bucal no país.
O que monitorar
- Publicação do SB Brasil atualizado: nova edição do levantamento nacional permitirá comparar prevalência de periodontite pós-pandemia, período associado a interrupção de rotinas preventivas.
- Taxa de cobertura da Estratégia de Saúde da Família: equipes de saúde bucal no PSF são o principal vetor de consultas preventivas no SUS; cobertura atual é de cerca de 42% (DAB/MS, 2023).
- Associação periodontite–diabetes: estudos em andamento no Brasil (FAPESP) investigam se tratamento periodontal reduz HbA1c — resultado pode alterar protocolos clínicos integrados.
- Sangramento gengival recorrente: indicador clínico individual que, se presente por mais de duas semanas, justifica consulta fora do ciclo semestral padrão.
Perguntas frequentes
P: De quanto em quanto tempo devo ir ao dentista? Para adultos saudáveis, a recomendação padrão de especialistas da USP e da SBPqO é a cada seis meses. Pacientes com doença periodontal ativa, diabetes ou tabagismo devem consultar a cada três a quatro meses.
P: Sangramento na gengiva ao escovar é normal? Não. Sangramento gengival é sinal clínico de gengivite ou periodontite, mesmo sem dor associada. Persistência por mais de duas semanas indica necessidade de avaliação odontológica, segundo os especialistas ouvidos pela CNN Brasil.
P: Doença periodontal tem relação com outras doenças do corpo? Sim. Revisões sistemáticas publicadas no Journal of Clinical Periodontology (2022) associam periodontite a maior risco de doenças cardiovasculares e dificuldade de controle glicêmico em diabéticos. O mecanismo envolve inflamação sistêmica crônica de baixo grau.
Fonte primária
Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:
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