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Macro · 3 min de leitura

Por que o Brasil executa menos infraestrutura que EUA e China — e o que isso custa ao PIB

Análise aponta que gargalos burocráticos reduzem a taxa de execução de investimentos públicos brasileiros a menos de 60% do planejado, enquanto EUA e China superam 85%.

Publicado em 18 de maio às 11:10

Por que o Brasil executa menos infraestrutura que EUA e China — e o que isso custa ao PIB

Análise aponta que gargalos burocráticos reduzem a taxa de execução de investimentos públicos brasileiros a menos de 60% do planejado, enquanto EUA e China superam 85%.

O Brasil investe em infraestrutura cerca de 1,7% do PIB ao ano, segundo dados do IPEA (2023) — menos da metade da média chinesa (5,5%) e abaixo dos 2,4% norte-americanos. Mais grave que o volume é a execução: estudos do Banco Mundial indicam que projetos de infraestrutura no Brasil levam, em média, o dobro do tempo previsto para conclusão.

O que aconteceu

Rafael Kelman e Jerson Kelman publicaram artigo na CNN Brasil defendendo que o país precisa superar o que chamam de "paralisia burocrática" para recuperar capacidade de execução de projetos. O diagnóstico central é estrutural: não falta projeto no Brasil, falta entrega. O licenciamento ambiental, os entraves jurídicos e a fragmentação orçamentária são apontados como os principais vetores de atraso.

A comparação com EUA e China é metodologicamente relevante porque os dois países operam modelos opostos — um com mercado privado robusto e arcabouço regulatório consolidado, outro com coordenação estatal centralizada — mas ambos convergem em velocidade de execução superior à brasileira.

A leitura quantitativa

O impacto fiscal da baixa execução é mensurável. O Tesouro Nacional registrou, em 2023, que apenas 58% dos créditos orçamentários destinados a investimentos foram efetivamente liquidados — o chamado "resíduo de empenho" acumula R$ 40 bilhões em obras paradas ou atrasadas (Siafi/STN, 2023).

Modelos de crescimento endógeno estimam que cada ponto percentual adicional de investimento em infraestrutura como proporção do PIB gera entre 0,15 e 0,20 ponto percentual de crescimento potencial no longo prazo (FMI, World Economic Outlook 2014). Aplicado ao Brasil, elevar a taxa de execução de 58% para 85% — sem aumentar o orçamento — equivaleria a liberar aproximadamente R$ 22 bilhões adicionais em atividade econômica por ciclo orçamentário.

A China executa projetos de grande porte com prazos 40% menores que a média global, segundo o McKinsey Global Institute (2016), em parte por concentrar aprovações ambientais e fundiárias em janelas únicas de decisão. Os EUA, após o Infrastructure Investment and Jobs Act de 2021, aceleraram licenciamentos federais com metas de prazo máximo de dois anos para projetos prioritários.

Comparação histórica

No Brasil, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007, projetou R$ 503 bilhões em investimentos até 2010. O TCU (Acórdão 2.859/2013) identificou que menos de 65% das obras previstas foram concluídas no prazo original. O padrão se repetiu no PAC 2 e reaparece no novo PAC lançado em 2023, sugerindo que o problema é sistêmico, não conjuntural.

O que monitorar

  • Taxa de liquidação orçamentária de 2025: o Siafi publica dados mensais; queda abaixo de 55% no primeiro semestre sinaliza deterioração do ciclo de execução.
  • Reforma do licenciamento ambiental: a Lei 14.285/2021 criou novas modalidades, mas regulamentação ainda está incompleta em setores de energia e transporte.
  • Custo de capital privado: a Selic acima de 13% encarece PPPs e concessões, reduzindo o apetite privado por projetos de longo prazo.
  • Desempenho do novo PAC: metas físicas do PAC 2023-2026 serão auditadas pelo TCU; primeiros relatórios de acompanhamento estão previstos para o segundo semestre de 2025.
  • Comparativo de Elo de execução regional: estados como São Paulo e Minas Gerais historicamente executam acima da média federal — divergência crescente pode indicar onde estão os gargalos federativos.

Perguntas frequentes

P: Por que o Brasil demora mais para construir infraestrutura do que EUA e China? Os principais fatores são licenciamento ambiental fragmentado, disputas judiciais sobre desapropriações e contingenciamento orçamentário recorrente. O TCU identificou esses três vetores em auditorias sucessivas entre 2013 e 2022.

P: Quanto o Brasil perde economicamente por não executar os investimentos planejados? Com base nos multiplicadores fiscais do FMI e no resíduo de empenho de R$ 40 bilhões registrado em 2023 (Siafi/STN), a estimativa é de R$ 20–25 bilhões em atividade econômica não gerada por ciclo orçamentário.

P: O que seria necessário para o Brasil atingir a taxa de execução de infraestrutura da China ou dos EUA? Modelos comparativos sugerem três mudanças estruturais: janela única de licenciamento, proteção jurídica de contratos de concessão e desvinculação parcial do orçamento de investimentos do teto de gastos correntes.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

O que EUA e China fazem de diferente do Brasil na execução de projetos?

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.