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Macro · 3 min de leitura

IGP-10 de maio sobe 0,89% e fica abaixo da mediana das expectativas do mercado

Resultado surpreendeu positivamente: projeção central era de 1,11%, e o acumulado em 12 meses ficou em 1,46%

Publicado em 18 de maio às 11:00

IGP-10 de maio sobe 0,89% e fica abaixo da mediana das expectativas do mercado

Resultado surpreendeu positivamente: projeção central era de 1,11%, e o acumulado em 12 meses ficou em 1,46%

O IGP-10 de maio de 2026 registrou alta de 0,89%, segundo a FGV — abaixo da mediana de mercado de 1,11% e dentro do intervalo projetado de 0,41% a 2,08%. O acumulado em 12 meses chegou a 1,46%, enquanto o índice acumula pouco mais de 3% no ano. O resultado indica desaceleração em relação ao 2,94% de abril.

O que aconteceu

A Fundação Getulio Vargas divulgou em 18 de maio de 2026 o IGP-10 de maio, mostrando alta de 0,89% — recuo expressivo frente ao 2,94% registrado em abril. O índice, que captura preços entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês corrente, surpreendeu positivamente ao ficar 22 pontos-base abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo mercado. Confira a divulgação completa na CNN Brasil.

O IGP-10 é composto pelo IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo, com peso de 60%), IPC (Índice de Preços ao Consumidor, 30%) e INCC (Índice Nacional de Custo da Construção, 10%). A desaceleração em maio sugere alívio, sobretudo no componente atacadista, que havia pressionado fortemente o resultado de abril.

A leitura quantitativa

O modelo de expectativas do mercado apontava mediana de 1,11%, com teto em 2,08%. O resultado de 0,89% ficou no terço inferior do intervalo projetado — consistente com um cenário de arrefecimento da pressão no atacado após o choque de abril.

O acumulado em 12 meses de 1,46% permanece significativamente abaixo do IPCA acumulado no mesmo período, que rodava acima de 5% segundo dados do IBGE/BCB. Essa divergência é estrutural: o IGP incorpora preços de commodities e câmbio com maior peso e velocidade do que o índice oficial de inflação ao consumidor. Em períodos de real apreciado ou commodities em queda, o IGP tende a desacelerar antes do IPCA.

O acumulado de pouco mais de 3% no ano de 2026 ainda é relevante para contratos indexados ao IGP-M ou IGP-DI — reajustes de aluguel, tarifas e títulos privados. A probabilidade de que o IGP-10 encerre 2026 abaixo de 5% aumentou com este resultado, embora o cenário externo (dólar e preços de grãos) mantenha intervalo de incerteza elevado.

Comparação histórica

Em maio de 2023, o IGP-10 havia registrado deflação de 1,84%, refletindo queda de commodities agrícolas e apreciação cambial. O ciclo atual é distinto: a alta de 0,89% em maio de 2026 ocorre em contexto de câmbio mais pressionado e preços de energia ainda voláteis, o que torna o resultado positivo — mas não comparável à deflação observada naquele período.

O que monitorar

  • Componente IPA-OG (Origem Agropecuária): variações em soja, milho e carne bovina têm impacto direto nos próximos IGPs; safra 2025/26 e clima no Centro-Oeste são variáveis-chave.
  • Taxa de câmbio BRL/USD: o IPA industrial é altamente sensível ao dólar; apreciação sustentada abaixo de R$ 5,70 reduziria pressão nos próximos meses.
  • IGP-M de maio (FGV): divulgação prevista para o final de maio servirá como confirmação ou divergência do sinal do IGP-10.
  • Decisão do Copom (junho/2026): política monetária restritiva afeta demanda e, indiretamente, a transmissão de preços no atacado para o varejo.
  • Preços internacionais de energia: petróleo acima de US$ 85/barril historicamente pressiona o IPA industrial com defasagem de 4 a 6 semanas.

Perguntas frequentes

P: O IGP-10 de maio 2026 ficou abaixo ou acima do esperado? Ficou abaixo. A mediana das projeções de mercado era de 1,11%, e o resultado foi de 0,89% — uma surpresa positiva de 22 pontos-base, dentro do intervalo projetado (0,41% a 2,08%).

P: O que o IGP-10 de 0,89% significa para quem tem contrato de aluguel indexado ao IGP-M? O IGP-10 antecipa a tendência do IGP-M, mas não é idêntico. Um resultado abaixo de 1% em maio sugere que o IGP-M do mês também pode desacelerar, potencialmente reduzindo reajustes de contratos residenciais no ciclo seguinte.

P: Por que o IGP-10 acumula só 1,46% em 12 meses se o IPCA está acima de 5%? O IGP captura preços no atacado e é mais sensível a câmbio e commodities. Em cenários de estabilização cambial ou queda de matérias-primas, o IGP desacelera mais rápido que o IPCA, que reflete preços ao consumidor final com maior inércia.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

FGV: IGP-10 de maio sobe 0,89% e acumula alta maior que 3% em 2026

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.