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Geopolítica · 3 min de leitura

Brasil no G7: Durigan leva minerais críticos e guerra à pauta de Paris em maio de 2026

A participação brasileira no G7 sinaliza reposicionamento estratégico: o país detém ao menos 17 minerais críticos relevantes para cadeias globais de transição energética.

Publicado em 18 de maio às 15:21

Brasil no G7: Durigan leva minerais críticos e guerra à pauta de Paris em maio de 2026

A participação brasileira no G7 sinaliza reposicionamento estratégico: o país detém ao menos 17 minerais críticos relevantes para cadeias globais de transição energética.

O Brasil ocupa posição singular nas negociações sobre minerais críticos: é o segundo maior produtor mundial de nióbio e figura entre os cinco maiores em reservas de lítio, grafite e terras-raras, segundo o U.S. Geological Survey (2025). A presença do ministro Durigan em Paris, com agenda bilateral densa, reflete a tentativa brasileira de converter esse ativo geológico em influência diplomática mensurável.

O que aconteceu

O ministro Paulo Durigan viaja a Paris para participar de reuniões paralelas ao G7, onde pretende discutir os impactos econômicos da guerra na Ucrânia e o papel dos minerais críticos na reorganização das cadeias globais de suprimento, conforme reportado pela CNN Brasil. A agenda inclui encontros bilaterais com autoridades estrangeiras e reunião com representantes da sociedade civil e do setor privado.

O Brasil não é membro do G7, mas tem participado como convidado recorrente desde o governo Lula 1 (2003–2010), posicionando-se como interlocutor do Sul Global em fóruns de governança econômica.

A leitura quantitativa

O contexto geopolítico amplifica o peso da agenda. Desde a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, os preços de commodities estratégicas sofreram volatilidade significativa: o nióbio registrou alta acumulada de 23% entre 2022 e 2024 (dados da CBMM/Metal Bulletin), enquanto o lítio oscilou mais de 80% no mesmo período, refletindo tensões entre demanda de baterias e concentração de oferta.

Modelos de dependência de cadeia de suprimento indicam que a União Europeia importa mais de 90% de suas terras-raras processadas da China (Agência Internacional de Energia, 2024). Esse dado cria janela de oportunidade para o Brasil: o cenário condicional mais favorável ao país ocorre se houver acordo-quadro de minerais críticos com bloco europeu ou G7 até 2027 — probabilidade que analistas do setor estimam em torno de 30–40%, dado o ritmo histórico de negociações multilaterais similares (vide acordo UE-Chile, que levou 7 anos para ser concluído).

A guerra na Ucrânia também afeta diretamente o Brasil via preços de fertilizantes: o país importava 85% do potássio da Rússia e Belarus em 2021 (ANDA, 2022). Embora a diversificação tenha avançado, a dependência estrutural permanece acima de 60% em 2025, segundo estimativas do Ministério da Agricultura.

Comparação histórica

A movimentação brasileira em fóruns do G7 sobre commodities estratégicas tem precedente direto: em 2009, durante a presidência italiana do G8, o Brasil negociou posição sobre segurança alimentar que resultou no programa L'Aquila Food Security Initiative. O ciclo atual guarda similaridade estrutural — choque externo (guerra/pandemia), pressão sobre cadeias críticas, Brasil como ofertante potencial —, mas a complexidade geopolítica é maior, com rivalidade EUA-China como variável de fundo.

O que monitorar

  • Acordos bilaterais assinados em Paris: qualquer memorando sobre minerais críticos com país do G7 altera o cenário de médio prazo para exportações brasileiras.
  • Posição brasileira sobre sanções à Rússia: o Brasil historicamente se absteve em votações da ONU; eventual sinalização de mudança teria impacto diplomático e comercial.
  • Preço do nióbio e lítio nos próximos 60 dias: variações acima de 10% indicam reação do mercado a sinalizações do G7.
  • Legislação de minerais críticos no Congresso brasileiro: o PL 2.637/2023 ainda aguarda votação e define o marco regulatório que tornaria o Brasil mais ou menos atrativo para investimento estrangeiro.
  • Declaração final do G7: inclusão ou exclusão de linguagem sobre diversificação de fornecedores de minerais críticos é indicador-chave do alinhamento com agenda brasileira.

Perguntas frequentes

P: O Brasil pode se tornar fornecedor estratégico de minerais críticos para o G7? O modelo indica probabilidade moderada (30–40%) de acordo formal até 2027. O Brasil tem reservas relevantes, mas enfrenta gargalos em infraestrutura de processamento e marco regulatório ainda em definição no Congresso.

P: Como a guerra na Ucrânia afeta a economia brasileira em 2026? O principal canal é via fertilizantes: o Brasil ainda depende de mais de 60% de importações de potássio de origem russa ou belarussa (estimativa Ministério da Agricultura, 2025), o que mantém custo agrícola elevado e sensível a escaladas no conflito.

P: Por que o Brasil participa de reuniões do G7 se não é membro? O Brasil é convidado recorrente desde 2003 na condição de economia emergente relevante. A participação não gera poder de voto, mas cria canal de negociação bilateral e sinalização de alinhamento — ou distância — em relação às posições do bloco.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

No G7, Durigan quer discutir impactos da guerra e minerais críticos

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.