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Demanda interna de milho no Brasil pode atingir 100 milhões de toneladas em 2025/26
Crescimento puxado pelo etanol de milho coloca consumo doméstico em patamar histórico, com implicações diretas para preços, balanço de oferta e política agrícola.
Publicado em 18 de maio às 13:01
Demanda interna de milho no Brasil pode atingir 100 milhões de toneladas em 2025/26
Crescimento puxado pelo etanol de milho coloca consumo doméstico em patamar histórico, com implicações diretas para preços, balanço de oferta e política agrícola.
A demanda interna brasileira de milho deve alcançar 100 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo projeções setoriais — um recorde absoluto. O principal vetor é a expansão das usinas de etanol de milho no Centro-Oeste, que nos últimos cinco anos multiplicaram sua capacidade instalada por mais de quatro vezes.
O que aconteceu
A CNN Brasil reportou que o consumo doméstico de milho no Brasil caminha para romper a barreira de 100 milhões de toneladas, impulsionado sobretudo pelo setor de biocombustíveis. O etanol de milho, praticamente inexistente antes de 2015, já responde por uma fatia crescente da demanda industrial do grão.
O movimento é estrutural, não conjuntural. A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) estima que a capacidade de processamento de milho para etanol deve superar 7 bilhões de litros anuais até 2026. Somada à demanda tradicional de rações (que absorve cerca de 55% do consumo total, segundo dados da Conab), a pressão sobre o balanço oferta-demanda tende a se intensificar.
A leitura quantitativa
A Conab projetava, em seu levantamento de abril de 2025, consumo total de milho em torno de 97–98 milhões de toneladas para 2024/25. Chegar a 100 milhões representaria crescimento de aproximadamente 8% sobre a média dos últimos três ciclos (92,4 Mt/ano entre 2021/22 e 2023/24).
Do ponto de vista probabilístico, dois cenários condicionam o atingimento do recorde:
- Cenário base (probabilidade estimada: ~60%): produção nacional converge para 127–130 Mt (intervalo central das projeções USDA/Conab para 2025/26), estoques finais permanecem acima de 10 Mt e o preço doméstico do milho se mantém abaixo de R$ 75/saca em Campinas — nível que historicamente não inibe a demanda de rações.
- Cenário de aperto (probabilidade estimada: ~30%): La Niña residual comprime a segunda safra (safrinha), produção recua para abaixo de 122 Mt, estoques finais caem para menos de 7 Mt e o preço sobe acima de R$ 80/saca, freando parcialmente a demanda de pequenos criadores.
- Cenário de folga (~10%): safra acima de 132 Mt, exportações recordes e demanda interna superando 101 Mt sem pressão de preços.
O diferencial desta vez é que a demanda de etanol tem baixa elasticidade-preço no curto prazo — usinas com contratos de fornecimento fixos não reduzem consumo facilmente mesmo com milho mais caro, o que torna o piso da demanda mais rígido do que em ciclos anteriores.
Comparação histórica
Na safra 2012/13, o Brasil consumiu internamente cerca de 55 Mt de milho. Em pouco mais de uma década, a demanda quase dobrou — taxa composta de crescimento anual (CAGR) de aproximadamente 5,5%, segundo séries históricas da Conab. O ritmo atual, se mantido, implicaria demanda de 115–120 Mt até 2030, pressionando a necessidade de expansão de área ou produtividade da ordem de 3–4% ao ano.
O que monitorar
- Produção da safrinha 2025: colheita concentrada entre junho e agosto; desvios acima de 3% em relação à projeção Conab alteram o balanço de estoques de forma relevante.
- Capacidade instalada de etanol de milho: novos anúncios de usinas no MT e GO nos próximos 12 meses sinalizam se a demanda industrial continuará crescendo a dois dígitos.
- Preço do milho em Campinas (CEPEA/Esalq): patamar acima de R$ 80/saca por mais de 60 dias consecutivos historicamente correlaciona com queda de 4–6% na demanda de rações (série 2012–2024).
- Política de biocombustíveis (RenovaBio): metas de descarbonização para 2026 podem acelerar ou moderar o ritmo de expansão do etanol de milho.
- Exportações: se a demanda interna pressionar estoques, o governo pode sinalizar restrições informais à exportação — monitorar posicionamento do Mapa.
Perguntas frequentes
P: Por que a demanda de milho no Brasil está crescendo tão rápido? O principal motor recente é o etanol de milho, setor que praticamente não existia antes de 2015 e hoje processa bilhões de litros por ano. A demanda tradicional de rações animais, que representa cerca de 55% do consumo total segundo a Conab, também cresce com a expansão da pecuária e avicultura.
P: O Brasil tem produção suficiente para atender 100 milhões de toneladas internamente? As projeções da Conab e do USDA para 2025/26 apontam produção entre 127 e 130 Mt, o que tecnicamente acomoda 100 Mt de consumo interno e ainda permite exportações. O risco está em quebras de safrinha, que responde por cerca de 75% da produção nacional.
P: Como o recorde de demanda de milho afeta a inflação de alimentos no Brasil? Modelo do BCB indica que choques no preço do milho transmitem-se ao IPCA de alimentação com defasagem de 2 a 4 meses, principalmente via proteína animal (frango e suíno). Uma alta de 10% no milho historicamente adiciona 0,15–0,25 ponto percentual ao IPCA de carnes no trimestre seguinte.
Fonte primária
Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:
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