Geopolítica · 3 min de leitura
Lula propõe parceria com Trump em terras raras: o que está em jogo para o Brasil
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, e o sinal de Lula a Trump abre cenário condicional de alto impacto geopolítico e econômico para 2025-2026.
Publicado em 18 de maio às 20:30
Lula propõe parceria com Trump em terras raras: o que está em jogo para o Brasil
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, e o sinal de Lula a Trump abre cenário condicional de alto impacto geopolítico e econômico para 2025-2026.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras — estimada em 21 milhões de toneladas, segundo o U.S. Geological Survey (USGS, 2024) —, atrás apenas da China. A declaração do presidente Lula sinalizando abertura a uma parceria com os EUA coloca o país em posição de barganha rara num contexto de disputa global por minerais críticos.
O que aconteceu
Durante agenda no interior de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou esperar que o governo Trump se associe ao Brasil na exploração de terras raras e minerais críticos. Lula foi enfático ao estabelecer uma condição central: "São nossos; vamos explorar aqui dentro", sinalizando que qualquer acordo precisaria garantir processamento e agregação de valor em território nacional, não apenas exportação de minério bruto.
A declaração ocorre num momento em que os Estados Unidos buscam ativamente reduzir dependência da China, que controla cerca de 60% da produção mundial e 85% do refino de terras raras, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE, 2024). A notícia foi publicada pela CNN Brasil.
A leitura quantitativa
O cenário condicional mais relevante é o seguinte: se os EUA firmarem um acordo formal de minerais críticos com o Brasil nos moldes do que negociaram com a Ucrânia em abril de 2025, o impacto sobre o setor de mineração brasileiro pode ser substancial. O acordo EUA-Ucrânia previu acesso preferencial a recursos em troca de garantias de segurança e investimento — estrutura que Brasília sinalizou não aceitar na mesma forma.
A probabilidade de um acordo amplo e rápido é moderada-baixa. Três fatores pesam contra: (1) a postura protecionista da administração Trump em relação a cadeias industriais fora do território americano; (2) a exigência brasileira de industrialização local, que eleva o custo político do acordo para Washington; e (3) a ausência de relação pessoal consolidada entre Lula e Trump — diferente, por exemplo, da dinâmica Bolsonaro-Trump, que ainda assim não gerou acordos estruturantes.
Por outro lado, a demanda americana por diversificação é real e mensurável: o Departamento de Energia dos EUA listou 50 minerais críticos em 2023, e o Brasil figura como fornecedor potencial relevante em pelo menos 12 deles, incluindo nióbio (onde detém 94% das reservas globais, segundo o IBRAM).
Comparação histórica
O ciclo mais comparável é o período 2019-2022, quando o governo Bolsonaro negociou aproximação com Washington em mineração sem chegar a acordos vinculantes. Naquele ciclo, o Brasil exportou US$ 1,1 bilhão em minerais críticos aos EUA (MDIC, 2022), mas sem estrutura de parceria estratégica formal. A diferença agora é o contexto de guerra comercial EUA-China, que eleva o valor de barganha brasileiro de forma estrutural.
O que monitorar
- Resposta formal de Washington: qualquer sinalização do Departamento de Estado ou do USTR sobre interesse em negociação bilateral com o Brasil em minerais críticos
- Texto da proposta brasileira: o Ministério de Minas e Energia ainda não publicou minuta de marco regulatório para parcerias em terras raras com capital estrangeiro
- Posição do Congresso Nacional: projetos de lei sobre exploração de minerais críticos tramitam no Senado (PL 2.630/2022 e correlatos) e podem travar ou acelerar qualquer acordo
- Movimentação da China: Pequim tem histórico de responder a aproximações Brasil-EUA com ofertas de investimento — o que pode criar leilão implícito de parceria
- Preço internacional de terras raras: o índice de óxido de neodímio caiu 40% entre 2022 e 2024 (Fastmarkets), o que afeta o apetite privado por novos projetos
Perguntas frequentes
P: O Brasil é o maior produtor de terras raras do mundo? Não. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial (21 milhões de toneladas, USGS 2024), mas produção ainda é limitada. China domina a produção global com cerca de 60% do volume extraído anualmente.
P: O que Lula quer dizer com "explorar aqui dentro"? A condição brasileira é que minerais críticos sejam processados e industrializados no Brasil, não exportados como minério bruto. Isso aumenta o valor agregado nacional, mas eleva o custo e a complexidade de qualquer parceria com os EUA.
P: Qual a chance de um acordo Brasil-EUA em terras raras sair ainda em 2025? O modelo de cenários condicionais da apura.br classifica como baixa a probabilidade de acordo formal até dezembro de 2025 — abaixo de 20% —, dado o histórico de negociações longas nesse setor e as condições divergentes entre as partes.
Fonte primária
Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:
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