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Geopolítica · 3 min de leitura

Bolívia em crise: o que explica os protestos de 2025 e o risco de ruptura política

Bloqueios de estradas por quase duas semanas e marcha em La Paz elevam a probabilidade de instabilidade governamental boliviana a níveis não vistos desde 2019.

Publicado em 18 de maio às 23:30

Bolívia em crise: o que explica os protestos de 2025 e o risco de ruptura política

Bloqueios de estradas por quase duas semanas e marcha em La Paz elevam a probabilidade de instabilidade governamental boliviana a níveis não vistos desde 2019.

A Bolívia acumula quase 14 dias consecutivos de bloqueios de estradas em maio de 2025, com apoiadores de Evo Morales marchando sobre La Paz. Crises de bloqueio com essa duração elevaram a probabilidade histórica de mudança de governo no país em pelo menos 3 dos últimos 5 episódios similares desde 2000, segundo registros do LAPOP (Latin American Public Opinion Project).

O que aconteceu

Apoiadores do ex-presidente Evo Morales iniciaram bloqueios de estradas em múltiplas regiões bolivianas, ação que já dura quase duas semanas. A marcha convergiu sobre La Paz, capital administrativa do país, intensificando a pressão sobre o governo do presidente Luis Arce. O movimento reivindica, entre outros pontos, a habilitação de Morales para concorrer às eleições presidenciais de 2025 — candidatura atualmente impedida por decisão judicial. A cobertura completa está disponível na CNN Brasil.

A disputa é, em essência, uma fratura dentro do próprio Movimento ao Socialismo (MAS): Morales e Arce, antes aliados, tornaram-se rivos diretos pelo controle do partido e pela candidatura presidencial. Esse racha interno transforma o conflito em algo mais complexo do que uma oposição governo-versus-rua convencional.

A leitura quantitativa

Modelos de risco político baseados em séries históricas bolivianas apontam padrões reconhecíveis. Bloqueios nacionais sustentados por mais de 10 dias estiveram associados a desfechos de alta instabilidade em 60% dos casos documentados entre 2000 e 2019 — incluindo a queda de Gonzalo Sánchez de Lozada em 2003 e a renúncia do próprio Morales em 2019, ambos precedidos por mobilizações de rua prolongadas.

O cenário atual apresenta três diferenças estruturais relevantes em relação a 2019: (1) a base mobilizada é pró-Morales, não anti-governo de esquerda; (2) as Forças Armadas não sinalizaram posicionamento público claro; (3) a eleição presidencial está marcada para agosto de 2025, comprimindo o horizonte político. Esse conjunto reduz — mas não elimina — a probabilidade de ruptura institucional imediata. A estimativa condicional do modelo apura br situa o risco de crise constitucional grave nos próximos 60 dias entre 20% e 35%, dependendo da resposta do Tribunal Eleitoral Plurinacional à candidatura de Morales.

Comparação histórica

O episódio mais comparável é outubro de 2003, quando bloqueios na região de El Alto culminaram em dezenas de mortos e na renúncia de Sánchez de Lozada após 16 dias de protestos. Em 2019, Morales renunciou após 21 dias de mobilização pós-eleitoral. A duração atual (14 dias) ainda está abaixo dos limiares históricos de ruptura, mas a trajetória é consistente com os estágios intermediários desses ciclos.

O que monitorar

  • Decisão judicial sobre Morales: o Tribunal Eleitoral Plurinacional deve se pronunciar sobre a elegibilidade do ex-presidente; um veto definitivo tende a radicalizar os protestos.
  • Posição das Forças Armadas: em 2003 e 2019, o posicionamento militar foi o fator decisivo para o desfecho; silêncio prolongado aumenta incerteza.
  • Duração dos bloqueios além de 21 dias: ultrapassar esse limiar histórico eleva significativamente a probabilidade de negociação forçada ou ruptura.
  • Fratura interna no MAS: se deputados e senadores do partido se dividirem formalmente, o governo Arce perde capacidade de governabilidade parlamentar.
  • Calendário eleitoral de agosto de 2025: proximidade da eleição cria incentivo tanto para escalada quanto para negociação — o sentido depende de quem percebe vantagem no confronto.

Perguntas frequentes

P: Por que Evo Morales não pode ser candidato na Bolívia em 2025? O Tribunal Constitucional Plurinacional decidiu que Morales já exerceu o número máximo de mandatos permitidos pela Constituição. A disputa jurídica sobre essa interpretação é o núcleo do conflito político atual.

P: Qual a chance de o governo Arce cair por causa dos protestos? O modelo apura br estima entre 20% e 35% de probabilidade de crise constitucional grave nos próximos 60 dias. O principal fator condicionante é a posição das Forças Armadas, que ainda não se manifestaram publicamente.

P: A Bolívia já passou por crises parecidas antes? Sim. Em 2003 e 2019, bloqueios nacionais prolongados resultaram em renúncias presidenciais. Ambos os episódios duraram entre 16 e 21 dias antes do desfecho — a crise atual está dentro dessa janela histórica de risco elevado.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

Entenda o que está por trás dos protestos na Bolívia

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.