Macro · 3 min de leitura
Produtividade da cana-de-açúcar sobe 13% no Centro-Sul no início da safra 2026/27
A média de 83,4 toneladas por hectare em abril supera o ciclo anterior e pressiona para baixo as estimativas de custo de produção de etanol e açúcar no mercado doméstico.
Publicado em 19 de maio às 02:21
Produtividade da cana-de-açúcar sobe 13% no Centro-Sul no início da safra 2026/27
A média de 83,4 toneladas por hectare em abril supera o ciclo anterior e pressiona para baixo as estimativas de custo de produção de etanol e açúcar no mercado doméstico.
A produtividade da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil atingiu 83,4 toneladas por hectare em abril de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período da safra 2025/26. O resultado, registrado no início do ciclo 2026/27, é consistente com condições climáticas favoráveis no segundo semestre de 2025 e com expansão da área colhida mecanicamente.
O que aconteceu
A CNN Brasil reportou que a média de produtividade da cana no Centro-Sul — região responsável por cerca de 90% da produção nacional, segundo dados da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) — subiu para 83,4 t/ha em abril, ante aproximadamente 73,8 t/ha no início da safra anterior. O Centro-Sul concentra os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, que juntos determinam o ritmo de oferta de etanol e açúcar do país.
A abertura de safra com produtividade acima da média histórica — que o IBGE estimou em torno de 74 a 78 t/ha para o período 2018–2024 — sinaliza que o volume total processado pode superar projeções iniciais para 2026/27.
A leitura quantitativa
Ganhos de produtividade agrícola dessa magnitude têm efeito direto sobre dois vetores macroeconômicos: o IPCA do subgrupo "combustíveis" e o componente "alimentação em domicílio" do índice de preços ao consumidor.
Etanol: O custo de produção do etanol hidratado é fortemente correlacionado com o ATR (Açúcar Total Recuperável) por tonelada de cana. Maior produtividade por hectare reduz o custo fixo por tonelada processada. Modelos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP) historicamente estimam elasticidade de -0,4 a -0,6 entre produtividade agrícola e custo operacional por litro. Uma alta de 13% na produtividade, mantidas as demais variáveis, é consistente com redução de 5% a 8% no custo de produção por litro.
Açúcar: O Brasil responde por cerca de 26% das exportações mundiais de açúcar bruto (USDA, 2025). Safras mais volumosas no Centro-Sul tendem a pressionar o preço do açúcar no mercado internacional (ICE #11). O modelo indica que, se a produtividade se sustentar ao longo da safra, há probabilidade estimada em 55–65% de que o preço médio do açúcar bruto fique abaixo de US$ 19 cents/lb no segundo semestre de 2026, frente à média de US$ 21 cents/lb observada em 2025.
Inflação doméstica: O BCB monitora o etanol como componente volátil do IPCA. Em ciclos de alta produtividade — como 2017/18, quando a produção do Centro-Sul superou 590 milhões de toneladas —, o etanol contribuiu negativamente para o IPCA em até -0,15 p.p. no acumulado do ano.
Comparação histórica
A safra 2017/18 é o comparativo mais próximo: produtividade média de 80,2 t/ha (IBGE) e colheita total de 596 Mt no Centro-Sul. Naquele ciclo, o preço do etanol hidratado caiu 9% entre maio e outubro, contribuindo para que o IPCA de 2018 fechasse em 3,75% — abaixo do centro da meta de 4,5% vigente à época (BCB, Nota de Política Monetária, jan/2019).
O que monitorar
- Chuvas de maio a julho no Centro-Sul: déficit hídrico nesse período pode reverter até 40% do ganho de produtividade projetado para a safra completa.
- Preço do petróleo (Brent): cotações abaixo de US$ 70/barril reduzem o diferencial competitivo do etanol e podem levar usinas a direcionar mais cana para açúcar, alterando o mix de oferta.
- Câmbio (BRL/USD): real depreciado eleva a atratividade das exportações de açúcar, potencialmente reduzindo a oferta doméstica e limitando o repasse deflacionário ao IPCA.
- Decisão do CNPE sobre mistura de etanol: qualquer alteração no percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina (atualmente 27%) muda a demanda estrutural e o impacto sobre preços ao consumidor.
Perguntas frequentes
P: O aumento de produtividade da cana vai reduzir o preço da gasolina no Brasil? O efeito é indireto. Maior produtividade pressiona para baixo o custo do etanol anidro, que compõe 27% da gasolina. O modelo indica redução potencial de 2% a 4% no custo do componente etanol da gasolina, mas o preço final depende também do Brent e da política de preços da Petrobras.
P: Qual é a probabilidade de o IPCA ser afetado por essa safra? Estimativa condicional: se a produtividade de 83,4 t/ha se mantiver na média da safra completa, a contribuição do etanol ao IPCA pode ser negativa em 0,08 a 0,15 p.p. no acumulado de 2026, com base em elasticidades históricas do CEPEA/USP.
P: O Brasil vai exportar mais açúcar em 2026 por causa dessa safra? Há probabilidade elevada (60–70%) de aumento no volume exportado, dado que o Brasil já responde por 26% do comércio global (USDA, 2025). O volume efetivo depende do mix usina (açúcar vs. etanol) e da cotação do real frente ao dólar.
Fonte primária
Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:
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