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Macro · 3 min de leitura

El Niño 2025-26 eleva risco climático para trigo, café, soja e frutas no Brasil

Modelos climáticos indicam probabilidade acima de 60% de anomalias persistentes de temperatura e chuva até o primeiro trimestre de 2026, com impacto direto sobre quatro das principais culturas da pauta exportadora brasileira.

Publicado em 19 de maio às 00:30

El Niño 2025-26 eleva risco climático para trigo, café, soja e frutas no Brasil

Modelos climáticos indicam probabilidade acima de 60% de anomalias persistentes de temperatura e chuva até o primeiro trimestre de 2026, com impacto direto sobre quatro das principais culturas da pauta exportadora brasileira.

Episódios de El Niño historicamente reduzem a produtividade do trigo gaúcho em até 20% e antecipam estresses hídricos no Cerrado. Com o fenômeno ativo desde o segundo semestre de 2025, produtores de café, soja, frutas e grãos de inverno enfrentam janelas de plantio comprimidas e maior volatilidade de custos de produção nos próximos seis meses.

O que aconteceu

A CNN Brasil reportou, em maio de 2026, alertas de especialistas agrícolas sobre a intensificação dos riscos climáticos associados ao El Niño para as safras de trigo, café, soja e frutas. O fenômeno, monitorado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), tende a concentrar chuvas excessivas no Sul e déficit hídrico no Centro-Oeste e Sudeste — padrão inverso ao ideal para a maioria das culturas citadas.

Especialistas recomendam revisão dos calendários de plantio e reforço de práticas de manejo, especialmente para culturas com menor tolerância a variações térmicas abruptas, como o café arábica e o trigo de sequeiro.

A leitura quantitativa

O impacto macroeconômico de eventos El Niño sobre o agronegócio brasileiro é mensurável. Segundo dados do IBGE, o Valor Bruto da Produção (VBP) das quatro culturas em risco — soja, trigo, café e frutas selecionadas — representou aproximadamente R$ 480 bilhões em 2024, ou cerca de 45% do VBP agropecuário total.

Séries históricas do Banco Central do Brasil (BCB) mostram que choques climáticos severos associados ao El Niño elevaram o componente alimentação do IPCA em média 1,2 ponto percentual acima da tendência nos 12 meses seguintes ao pico do fenômeno — referência: Notas do Copom, ciclos de 1997-98 e 2015-16.

Para a soja, modelos da Embrapa Agrossistemas estimam redução de produtividade entre 8% e 15% em anos de El Niño forte no Cerrado, dependendo da distribuição das chuvas entre outubro e janeiro. O trigo gaúcho é ainda mais sensível: excesso hídrico na fase de espigamento eleva a incidência de brusone e giberela, doenças que, no El Niño de 2015-16, destruíram cerca de 30% da safra do Rio Grande do Sul (dados Conab).

O café arábica, concentrado em Minas Gerais e São Paulo, enfrenta risco de florada irregular quando temperaturas noturnas ficam acima de 20°C por períodos prolongados — condição favorecida pelo aquecimento oceânico do Pacífico equatorial.

Comparação histórica

No El Niño de 2015-16, classificado como "muito forte" pelo NOAA, o Brasil registrou queda de 12% na produção de grãos de inverno e alta de 18% no preço doméstico do trigo ao longo de 12 meses (Conab/CEPEA). O IPCA-alimentação acelerou de 7,2% para 9,5% no mesmo período, contribuindo para o ciclo de aperto monetário do Copom entre 2015 e 2016.

O que monitorar

  • Índice Oceânico El Niño (ONI): leituras acima de +1,5°C por três trimestres consecutivos configuram evento forte; o NOAA publica atualizações mensais em climate.gov
  • Boletim de Safras da Conab (mensal): revisões de área plantada e produtividade para trigo e soja serão o termômetro mais direto do impacto real
  • IPCA-15 subgrupo Alimentação no domicílio: aceleração acima de 0,5 p.p. por dois meses consecutivos pode antecipar pressão inflacionária relevante para o Copom
  • Câmbio BRL/USD: desvalorização do real atenua perdas de receita do exportador, mas amplifica custos de insumos importados (fertilizantes, defensivos)
  • Decisões do Copom: ata de junho de 2026 pode sinalizar se o BCB já incorpora risco climático no balanço de riscos inflacionários

Perguntas frequentes

P: El Niño vai causar alta nos preços dos alimentos no Brasil em 2026? O cenário é consistente com pressão inflacionária no componente alimentação. Séries históricas do BCB indicam acréscimo médio de 1,2 p.p. no IPCA-alimentação em anos de El Niño forte, mas a magnitude depende da intensidade do fenômeno e do câmbio.

P: Quais culturas brasileiras são mais vulneráveis ao El Niño? Trigo e café arábica lideram o ranking de vulnerabilidade, seguidos pela soja do Cerrado. O excesso de chuva prejudica o trigo gaúcho; o calor noturno atípico compromete a florada do café em Minas Gerais e São Paulo.

P: O El Niño atual é tão grave quanto o de 2015-16? Ainda não há confirmação de evento "muito forte". O NOAA classifica o episódio atual como moderado a forte. A intensidade final — e, portanto, o impacto sobre safras — depende da evolução do ONI nos próximos três a quatro meses.

Fonte primária

Análise baseada em notícia originalmente publicada por CNN Brasil:

El Niño intensifica riscos a trigo, café, soja e frutas nos próximos meses

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As probabilidades vêm dos modelos descritos em /metodologia.